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Resenha - Graceling O Dom Extraordinário: Kristin Cashore

segunda-feira, 17 de julho de 2017
A jovem guerreira Katsa tem olhos de cores diferentes: um azul e outro verde. Esta peculiaridade não ressalta apenas a beleza da jovem, mas também a marca de um verdadeiro graceling, alguém com um dom extraordinário. Alguns são excelentes nadadores, dançarinos, cozinheiros, matemáticos. Mas o dom de Katsa é diferente e único: ela possui a habilidade de lutar e matar. Por causa disto, é usada como assassina pelo cruel rei de Middluns, o seu próprio tio. Consumida pela culpa, Katsa cria o Conselho, uma confraria, a partir da qual passa a promover missões secretas para prevenir injustiças e lutar pela liberdade. Combinando elementos de fantasia e romance, Cashore retrata habilmente as crises, descobertas e angústias de Katsa. Evitada e temida pelo seu Dom, a jovem luta com questões de liberdade, verdade e lealdade enquanto tenta sair do domínio maligno de seu tio. Uma tarefa complicada para quem cresceu sem muitos amigos.
                 
                 

                      ❤ Autor: Kristin Cashore  ❤ Páginas:491  ❤ Editora: Rocco
Os gracelings são pessoas agraciadas com um dom: desde a habilidade para dança ao poder de introduzir pensamentos em outrem, eles são identificados por possuírem olhos de cores diferentes e eles levam tempo para se fixarem. A paz habita os sete reinos e nunca existe necessidade de uma guerra. A maioria dos governantes são homens pacíficos e bondosos com seu povo, assim como é a fama do rei Leck de Monsea. Porém, seguindo o oposto, o rei Randa de Middlus é tirano e ganancioso. Randa usa de sua sobrinha Katsa - agraciada com o poder do assassinato e uma lutadora excepcional- para que ela cobre dividas de lordes ou quaisquer tipos de pendências a seu favor. A garota era obrigada a cumprir as missões do rei, com a observação de causar dor às suas vitimas ou até mesmo matá-los.

Katsa criou o Conselho junto à seus amigos com o fim de evitar injustiças e combater criminosos em todo o conjunto de reinos. A garota é impecável em todos os tipos de combate e isso a permitia cumprir missões complexas, mas sem sentir dificuldades alguma nelas. Ao saber que o pai do rei Ror, de Lienid havia sido seqüestrado, a guerreira parte para salvá-lo e consegue  deixa-lo em segurança na companhia de seu primo, príncipe Raffin, enquanto ela parte para descobrir as motivações do crime. Ao conhecer o príncipe Po de Lienid, ele a ajuda a investigar o seqüestro seguindo indícios deixados em cada reino em uma viagem extensa.
 “Uma garota agraciada com o assassinato, uma criminosa real? Uma garota que não queria os maridos que Randa tinha empurrado para ela, homens perfeitamente lindos e cuidadosos.”

 Po busca pelo seqüestrador de seu avô com a ajuda de katsa como representante do conselho, mas ao descobrir o criminoso, os dois se vêem em uma emboscada, comprometidos também no resgate da jovem princesa Bitterblue de Monsea, a missão se torna cada vez mais arriscada. Varios segredos comprometem os heróis e colocam em risco tudo o que eles podem fazer. Durante a viagem, um sentimento novo se cria entre os dois e mesmo quando a guerreira diz que jamais se casará e nunca deixará sua liberdade, o amor que ela sente pelo príncipe fará com que muitas coisas se transformem diante de seu coração.

Mesmo Katsa sendo usada como uma lutadora e assassina fria nas mãos de Randa, a garota cresce de maneira bondosa e busca sempre agir com justiça apesar de toda a rigidez em tudo o que faz. Po é um jovem fugaz e ótimo lutador, enquanto seu senso de humor lhe confere uma identidade promissora em tantos sentidos. Raffin é o filho do rei Randa e herdeiro de Middlus, porém nunca demonstrou verdadeiro interesse nas tarefas de um comandante. A conexão dada entre Po e Katsa é incomum: a jovem sempre rejeitou a ideia do matrimonio e esse relacionamento não consegue convencer a garota do contrario. A amizade de Raffin se mostra muito importante para que todos os elos criados até então não se percam ante a fúria contida em Katsa, já que é a única pessoa a qual a guerreira escuta. 

O texto é de fácil compreensão, mas a escrita em terceira pessoa omite detalhes profundos do que esta sendo citado. A linguagem simples constrói uma historia leve e contada com a calma necessária para que a autora desenvolva sua idéia. A rebeldia dos personagens torna o enredo conquistador e forte. A bravura de todos eles exerce a função de fixar o leitor á historia, enquanto as reviravoltas dão ar as emoções mais profundas. Trata-se de uma trilogia com uma fantasia inédita, com pouco romance e muita aventura em um clima medieval pacifico. Uma leitura agradável que garante a nota 4 à obra de estréia da promissora Kristin Cashore.

 
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