A jovem guerreira Katsa tem olhos de cores diferentes: um azul e outro verde. Esta peculiaridade não ressalta apenas a beleza da jovem, mas também a marca de um verdadeiro graceling, alguém com um dom extraordinário. Alguns são excelentes nadadores, dançarinos, cozinheiros, matemáticos. Mas o dom de Katsa é diferente e único: ela possui a habilidade de lutar e matar. Por causa disto, é usada como assassina pelo cruel rei de Middluns, o seu próprio tio. Consumida pela culpa, Katsa cria o Conselho, uma confraria, a partir da qual passa a promover missões secretas para prevenir injustiças e lutar pela liberdade. Combinando elementos de fantasia e romance, Cashore retrata habilmente as crises, descobertas e angústias de Katsa. Evitada e temida pelo seu Dom, a jovem luta com questões de liberdade, verdade e lealdade enquanto tenta sair do domínio maligno de seu tio. Uma tarefa complicada para quem cresceu sem muitos amigos.
❤ Autor: Kristin Cashore ❤ Páginas:491 ❤ Editora: Rocco
Os gracelings são pessoas
agraciadas com um dom: desde a habilidade para dança ao poder de introduzir
pensamentos em outrem, eles são identificados por possuírem olhos de cores
diferentes e eles levam tempo para se fixarem. A paz habita os sete reinos e
nunca existe necessidade de uma guerra. A maioria dos governantes são homens
pacíficos e bondosos com seu povo, assim como é a fama do rei Leck de Monsea.
Porém, seguindo o oposto, o rei Randa de Middlus é tirano e ganancioso. Randa
usa de sua sobrinha Katsa - agraciada com o poder do assassinato e uma lutadora
excepcional- para que ela cobre dividas de lordes ou quaisquer tipos de
pendências a seu favor. A garota era obrigada a cumprir as missões do rei, com
a observação de causar dor às suas vitimas ou até mesmo matá-los.
Katsa criou o Conselho junto à
seus amigos com o fim de evitar injustiças e combater criminosos em todo o
conjunto de reinos. A garota é impecável em todos os tipos de combate e isso a
permitia cumprir missões complexas, mas sem sentir dificuldades alguma nelas.
Ao saber que o pai do rei Ror, de Lienid havia sido seqüestrado, a guerreira
parte para salvá-lo e consegue deixa-lo em segurança na companhia de seu primo,
príncipe Raffin, enquanto ela parte para descobrir as motivações do crime. Ao
conhecer o príncipe Po de Lienid, ele a ajuda a investigar o seqüestro seguindo
indícios deixados em cada reino em uma viagem extensa.
“Uma garota agraciada com o assassinato, uma criminosa real? Uma garota que não queria os maridos que Randa tinha empurrado para ela, homens perfeitamente lindos e cuidadosos.”
Po busca pelo seqüestrador de seu avô com a
ajuda de katsa como representante do conselho, mas ao descobrir o criminoso, os
dois se vêem em uma emboscada, comprometidos também no resgate da jovem
princesa Bitterblue de Monsea, a missão se torna cada vez mais arriscada.
Varios segredos comprometem os heróis e colocam em risco tudo o que eles podem
fazer. Durante a viagem, um sentimento novo se cria entre os dois e mesmo
quando a guerreira diz que jamais se casará e nunca deixará sua liberdade, o
amor que ela sente pelo príncipe fará com que muitas coisas se transformem
diante de seu coração.
Mesmo Katsa sendo usada como uma lutadora e assassina fria
nas mãos de Randa, a garota cresce de maneira bondosa e busca sempre agir com
justiça apesar de toda a rigidez em tudo o que faz. Po é um jovem fugaz e ótimo
lutador, enquanto seu senso de humor lhe confere uma identidade promissora em
tantos sentidos. Raffin é o filho do rei Randa e herdeiro de Middlus, porém
nunca demonstrou verdadeiro interesse nas tarefas de um comandante. A conexão
dada entre Po e Katsa é incomum: a jovem sempre rejeitou a ideia do matrimonio
e esse relacionamento não consegue convencer a garota do contrario. A amizade
de Raffin se mostra muito importante para que todos os elos criados até então
não se percam ante a fúria contida em Katsa, já que é a única pessoa a qual a
guerreira escuta.
O texto é de fácil compreensão, mas a escrita em terceira
pessoa omite detalhes profundos do que esta sendo citado. A linguagem simples
constrói uma historia leve e contada com a calma necessária para que a autora
desenvolva sua idéia. A rebeldia dos personagens torna o enredo conquistador e
forte. A bravura de todos eles exerce a função de fixar o leitor á historia,
enquanto as reviravoltas dão ar as emoções mais profundas. Trata-se de uma
trilogia com uma fantasia inédita, com pouco romance e muita aventura em um
clima medieval pacifico. Uma leitura agradável que garante a nota 4 à obra de
estréia da promissora Kristin Cashore.



Escorpiana, 24 anos, 













